2.12.10

tranparências

(...) ofereceste-te com generosidade, entreguei-me sem obstáculos. (...) Estranhei-te o silêncio. Tu, para quem as palavras são supérfluas quando a certeza é firme, manifestaste-te no movimento do corpo em tradução livre do desejo e sorriste-me encontrando, finalmente, não aquilo que procurávamos, mas aquilo que nos faz felizes. 

acreditar no amor como na vida


A perfeita harmonia também é imperfeita. O perfeito amor também é uma conquista [que se saboreia devagar, sem pressas]. A perfeita cumplicidade existe e chega com um amor maior. A perfeita vontade de eternidade sente-se quando o sabor de um beijo não basta, quando um abraço é mais quente que o sol, quando amo-te é a única palavra que existe no nosso dicionário. Quando o querer é mais, mais, mais, sempre mais.

24.11.10

...

[Fazer amor é engolir no corpo....

                                        .......a Alma!]

E os outros...!

*
Só nós.
Só os nossos escondidos murmúrios,
Só as nossas madrugadas de prazeres e delírios.
Gemidos de vida.
E o mundo que se engane,
Que finja não ver
Que pense não ser...!
**

18.11.10

Mulheres

Final de tarde. Camarim, provavelmente o sítio mais especial do mundo, aquele onde me dispo de mim e me visto de personagem. E é nesta passagem que relembro pedaços do meu espectáculo. Quantas coisas passadas, quantos momentos, quantos êxtases, quantas mulheres. Quantas diferenças entre si, tão diferentes e no fundo, tão iguais. Algumas simplesmente evaporaram-se no tempo, outras mantêm-se vivas na lembrança. Umas tão quentes, outras nem tanto. Umas que queriam ser, outras que eram sem saber. Umas quis que fossem, outras que nem vieram.
Umas que preencheram lacunas, outras que acariciaram o meu ego. Algumas só mataram desejos, outras fizeram-me refletir. De umas ainda aguardo respostas, a outras nem perguntas fiz. Umas entenderam-me, outras nem tentaram. Umas só foram usadas, outras apenas me usaram. Umas viraram mães, outras viraram tias, algumas por não querer, outras sem outra opção.
A umas e outras devo o mesmo respeito.  

8.11.10

Versos de amor


Os melhores versos de amor que fiz não foram escritos, foram desenhados. Aguarela febril no sublime de um corpo. Mulher. Tateados qual braile em olhos fechados, sentindo arrepios na ponta dos dedos. A humidade no espaço do puro desejo. Versos que se multiplicam, que palpitam. Versos apenas feitos no alucinado contacto da inspiração do cheiro, da pele, do suor. Versos absorvidos pelo som de uma louca sonata de gemidos sussurrados. Espasmos sem controlo como espírito incorporado num corpo entregue, abandonado, pedinte, largado ao poder lascivo do prazer, enxarcado na luxúria. Amor que se rende numa cama, pódio em despudor usado sem grafia, sem parágrafos, sem caneta nem papel. Corpo amado, desejado, possuído pelo homem em mim poeta. Sem letras nem rimas, apenas amor em forma de poesia.

...

[Abres-me a tua porta, olhamo-nos, sorrio, 

                                            convite mudo que entendes.]

6.11.10

Todo o tempo


Quero despir-te aos poucos,
Sem pressa.
Quero sentir-te em detalhes,
Tocar-te. 
Correr as minhas mãos em ti,
Como que te moldando.
Arrepiar-te a pele, 
Fazer-te em desejo. 

Esta noite

Eu quero o teu tempo

Todo. 

5.11.10

Sou

Eu sou naturalmente a sensação que sinto, a sensação que transmito sem mordaças, sem máscaras, sem artifícios. Vivo em função da minha satisfação, dos meus desejos, da minha vontade de fazer o bem mesmo com a certeza do quanto mal já fiz. Vivo a vida. Com amor, com as certezas que penso ter, às vezes doces e ilusórias certezas planando ao sabor libidinoso do vento que as leva sem obstáculos, sem negativos. Vivo nas nuvens da vida, do amor, das ilusões. Por outro lado vivo o meu temperamento felino nos meandros da inconsequência sem ser inocente. Sou o que quero. Sou o que sou, sou o que quero ser em total cumplicidade com as minhas intuições. Vou até onde o meu instinto me leva. Vivo de mãos dadas entre o meu Eu de emoções com o meu Eu racional que me regula, que me soma e subtrai, sempre nas minhas perfeitas faculdades. E nesta balança dentro de mim vivo com a plena consciência da felicidade que procuro, que almejo. Quero mais sem nunca precisar de fugir de mim. Tudo o que faço é profundamente consciente nas saídas, nas fugas e até nas inverdades. Não sou um mistério mas também não sou figura fácil. Sou dentro do possível apenas eu. Vivo de amores. Lógicamente por não me interessar morrer.

...


[Escorre ainda em ti
A tinta do poema
Que desenho na tua pele.]

3.11.10

Perfeição

Os lençóis desarrumados, as roupas espalhadas, os copos vazios. Copos vazios, coração cheio, corpos exaustos, denunciando que o amor ali acontecera. A vela ainda acesa, ainda queima e, suavemente ilumina os nossos corpos. Vagarosamente, sinto-te respirar, dormindo, entregue, a sonhar, deliciosa. Observo a tua pele, os teus contornos, vejo a satisfação no teu rosto. O sorriso embala o teu sono.   

Quadro bonito, cena grata, deliciosa de olhar. A vontade aumenta, quero abraçar-te e envolvo-te com os meus braços, para te ter agarrada a mim.

Ainda a dormir exclamas, languidamente: "Amo-te tanto!". E num impulso calo os teus lábios com um beijo macio, tranquilo, delicioso. Beijo sonhado a sonhar com o teu beijo, a acordar beijando-te. As nossas mãos começam a procurar-nos de novo. O desejo reacende. 

E a perfeição repete-se.  

1.11.10

Quem sonha vive

Quando se tem alguém na vida que sonha tão grande quanto nós, que sonha de olhos abertos como nós, que planeia cada detalhe da concretização dos sonhos connosco, que nos leva ao colo e nos tira o peso do mundo dos ombros......quando temos alguém assim na vida devemos abraçá-la forte, bem forte e dizer-lhe baixinho, a cada minuto, por cada sorriso, por cada sonho, por cada momento de amor o quanto se gosta dela, o quanto nos faz feliz e o quanto queremos senti-la feliz. Sempre.

Paixão

Nunca nos apaixonamos para sempre. 

Apaixonamo-nos no mínimo...

No mínimo para a eternidade!

29.10.10

O "Treme-treme"


“Treme-treme” assim se chamava o prédio alto, destacado de todos os outros mais baixos, onde morei nos meus tempos de serviço militar em Luanda! Em 1971 fui “convocado” para o Ultramar e os pais (galinha!) reformaram-se e foram atrás do menino! Dinheiro não havia em fartura e, portanto, aquele edifício colonial construído para habitação económica e com fim a alojar os militares nos seus tempos de férias foi o nosso lar (dos meus pais e meu quando voltava, ainda que temporariamente, do mato) durante quatro anos. Falo hoje dele porque em conversa descobri que a mãe de uma querida amiga e ela inclusivé (apesar de bebé) também lá morou e na mesma época. Éramos vizinhos e não sabíamos. A vida tem destas coisas maravilhosas! 

Eu morava no 12 J daquele prédio do Largo do Infante D. Henrique…mais conhecido pelos jovens de então como o Baleizão, mesmo defronte à marginal, com uma belíssima paisagem que serviu de fundo a momentos inesquecíveis da minha juventude. Era minha vizinha também a minha eterna Vera Mónica, na época Verónica (seu verdadeiro nome) que chegara também a Luanda com a mãe, vinda directamente do Rio de Janeiro à procura de uma vida melhor. Grandes amizades se fizeram naquele “Treme-treme”. Carlos Castro (que escreveu para mim as três letras com que concorri ao Festival da Canção de Luanda entre 1972 e 1974 e com as quais ganhei o primeiro prémio), Vasco Rafael, Rui e Salomé Cardinali, José Carlos (o mais genial estilista português), Nelson Duarte (que me acompanhava à guitarra em cantorias pelos mais variados locais da Nova Lisboa, Sá da Bandeira, Luanda, etc) eram outros dos vizinhos. Na altura e tal como eu, ilustres desconhecidos mas que, a pouco e pouco, começavam a dar cartas numa Luanda de longe mais evoluída que a Metrópole. Aliás, ali perto estava o primeiro hipermercado que os portugueses residentes em Luanda veriam, muito antes de Portugal sofrer igual modernização.   

Mais tarde aquele prédio começou a ser apelidado de “Treme-treme”! Porquê? Tinha a ver com a utilização que era dada a alguns dos apartamentos habitados por “profissionais do sexo”. Quem pretendesse descrição e qualidade, sabia que o “Treme-treme” era o lugar. Muito nos riamos, eu e a Vera, namorados e novíssimos na época, tão novos ao ponto de brincar com as tais “profissionais”, fazendo chamadas insistentes para os seus apartamentos a marcar supostos encontros. Outras vezes batíamos às suas portas e corríamos pelas escadas abaixo até alcançarmos um lugar seguro onde pudéssemos soltar largas gargalhadas!

Ter sabido hoje, da coincidência que atrás referenciei fez-me recordar uma série de momentos….inevitável! Lembro-me de uma vez estar com um grupo de amigos no então Café Baía que ficava junto do “Treme-treme” e onde todos os jovens se encontravam para grandes noitadas que, um exuberante casal colocou altifalantes na varanda do quarto onde decidiu passar umas longas horas de cama com o microfone ao lado. Resumindo: toda a gente ali nos arredores testemunhou o seu prazer. Mas também era daquele mesmo Café que se assistia todas as noites a um espectáculo magnífico de luzes na Marginal com os reclames multicolores que num piscar constante se projectavam nas calmas água da baía enquanto no alto e em tons de amarelo a Fortaleza de S. Miguel vigiava a baía, protegendo a cidade. Os automóveis passeavam-se como pirilampos e muitos se deslocavam para a ilha onde as marisqueiras e bares aguardavam com as suas lagostas, camarões, lagostins, sapateiras, outros crustáceos e moluscos a chegada da clientela noctívaga e não só. 

Luanda dormia acordada, Luanda era uma cidade que não dormia. Loucos anos 70 naquele paraíso quente e tropical! Mas nem tudo eram rosas… 

17.10.10

Hale-bopp


Os cometas têm dupla personalidade. São negros e sem cauda mas incendeiam-se quando se aproximam do sol. Têm na sua essência todos os constituintes da vida. Quando os vemos nunca pensamos nisso...só pensamos que, como são raros, podem dar-nos sorte e é por isso que quando os vemos pedimos um desejo. 

Nunca acreditei em coincidências mas sei que conhecer-te não foi um acaso na minha vida. Foi um presente do destino! És o meu cometa, o meu Hale-Bopp! O maior e o mais brilhante!

Quando amo


Eu quando amo mimo. Eu quando amo faço sonhar. Eu quando amo suspiro e faço suspirar. Eu quando amo não corro atrás, mas fico presente. Eu quando amo não fico em silêncio, canto melodias. Eu quando amo não desisto, luto. Eu quando amo quero tudo e quero hoje e quero para sempre. Eu quando amo não tomo nada como garantido. Eu quando amo escalo montanhas, pinto céus e planto flores. Eu quando amo visto-me de mar, bronzeio-me de côco e brilho com as estrelas. Eu quando amo peço desejos à lua e ofereço flores ao mar. Eu quando amo fecho os olhos e peço ao Universo que me deixe amar assim para sempre. Eu quando amo quero ser o Sol. Quando amo...e eu amo-te. Muito.

ZEN

Acreditei. Pedi com toda a minha fé.

Rendi-me a este amor e aceitei. 

Abracei-te, abracei-me.

Estou em paz.

Perfeito.

15.10.10

Acredito. Do verbo acreditar


Acredito que as relações se fazem de química e de cumplicidade.
Acredito que o corpo tem linguagem própria. O olhar. E o sorriso também. É isso que constrói uma relação: tudo o que está para além das palavras, tudo o que conseguimos ouvir no silêncio. Acredito no conforto do silêncio.
Acredito que as relações se fazem de momentos. Segredos. Lágrimas e gargalhadas. Fantasias. Guardar tudo o que se sabe sem querer saber mais nada. Passado. Futuro. Querer o todo sem nunca conhecer tudo. Viver!
Acredito em entidades isoladas com um mundo próprio.
Acredito no fascínio pelo que nunca nos pertence.
Acredito em nós. Simplesmente.

Para todos os dias


Há muitas coisas assim na vida! Começam do nada como uma vela que não se apaga, um fio de vento que não se vai embora, uma noite que não dorme e chega em claro até à manhã. Foi assim que tudo começou. Entraste para a minha vida sem nenhum de nós saber. Se não para todo o sempre, pelo menos para todos os dias, enquanto os houver.

Da entrega


Eu sou lúcido na minha loucura, permanente na minha inconstância, inquieto na minha comodidade. Pinto a realidade com alguns sonhos e transformo alguns sonhos em cenas reais. Choro lágrimas de rir e quando choro não derramo uma lágrima. Amo mais do que posso e, às vezes, menos do que sou capaz. Procuro pelo prazer da paisagem e raramente pela alegre frustração da chegada. Quando me entrego, atiro-me e quando recuo não volto mais...

Eu. Tu. Nós!



Passamos muitas horas a rir, a falar de tudo e de nada. Fazemos muitos silêncios. Olhamo-nos intensamente como que numa descoberta pelo olhar. Cozinhamos um para o outro. Dançamos no meio do nada, por nada. Andamos de mãos dadas, jantamos de mãos dadas, adormecemos de mãos dadas. Sorrimos de olhos fixados por saber que ainda há tanto para viver! Não nos rendemos às pseudo-evidências, acreditamos em nós. Juramos amor eterno. Voamos até onde mais ninguém pode voar! Estamos felizes e crentes e optimistas e cheios de planos...e de sonhos, muitos, muitos, sonhos! Fazias-me tanta falta...foi por ti que esperei! Inesquecível o dia em que te conheci e logo te começei a amar.

13.10.10

in love!


Absolutamente inspirado no lado cor-de-rosa da vida.
Perdidamente apaixonado por um amor indissolúvel.

5.10.10

segredo

[Em segredo...a fingir luas, diria o teu nome...lentamente. Enredado na chuva. Dançando entre os meus dedos. O teu nome...por dentro da minha boca...acenando aos beijos.]

4.10.10

...


Não interessa o teu nome ou o que fazes. O que interessa é que tudo permanece igual...o mesmo silêncio, a mesma urgência, o mesmo bater descompassado do peito, o mesmo olhar revelador, o mesmo gemido a marcar o alvorecer dos dias que caem sem pressa e sem medo do teu abraço...de manhã olho para trás e recordo-me do teu corpo nu a descansar sobre o meu peito, dos lençóis revolvidos a meia luz, do teu perfume ainda morno e de um beijo na boca a troco de tudo...

28.9.10

"poesia em movimento"



Ontem bateste à minha porta, mais uma vez...Os nossos olhares já comunicam sem palavras, os sorrisos já combinam o que os nossos corpos desejam. Ao ouvido sussuraste-me um "tenho saudades tuas", deixei-te entrar. A porta fechou e escondemo-nos do mundo, outra vez. Beijaste-me o pescoço, já me conheces. Fiz-te minha, despi-te com volúpia, a mesma com que me consomes o corpo. É em noites como esta que sinto o mundo quase parar e tu como quem adivinha, apareces. A nossa respiração, ofegante, dita a velocidade a que o mundo deve rodar. Fundes-te nos meus braços, derretemo-nos em beijos, enebrias-te com o meu cheiro, encantas-te com a minha voz. Gosto do nosso silêncio telepático, do mundo que parte e regressa num abraço a casa. Gosto de beber o teu corpo. Fazes-me perder o sentido das coisas. Vicias-me as noites. E dizes tu que juntos fazemos "poesia em movimento"...!

mais do que tudo



Mais do que magia, somamos alegria.
Mais do que música, fazemos amor.
Mais do que encanto, encontramos fascínio.
Mais do que falar, comunicamos em silêncio.
Mais do que rir, sorrimos com o olhar.
Mais do que querer, mostramos o ser.
Mais do que dois, somos um.

27.9.10

sem comentários

"I know your look every time I see it,
but I don´t know you...I wonder if some day I will?
Know you for how you really are, through your look
behind those brown eyes. Knowing you in my thoughts
is not enough because I imagine you more than a hundred
ways, trying to find which one of my thoughts could be you.
So can you show me?!"


. . .
Saí da mesa do café por breves instantes e quando voltei
tinha esta carta assinada na minha mesa, terminando
sugestivamente com um número de telemóvel. Hoje
pergunto-me...Será que as mulheres estão a ficar cada
vez mais "românticas" ou sou eu que estou a ficar...
cada vez mais "insensível"?
Sem comentários!

...

...e depois há estes dias em que só me apetece ficar assim, a olhar para ti. Dar-te a mão enquanto dormes e embevecer-me com a tua beleza. És melhor do que sonhei, és real!

25.9.10

my endless happy mood

Real love?
It's when you go through the hard trials of trust and scarifices and still wake up every morning falling in love all over again!

20.9.10

saudade


Não sei quem é que inventou a palavra saudade mas tenho quase a certeza que não sabia o que dizia nem que nunca sentiu aquelas saudades que doem na pele.

única

[És única na forma como me estendes a mão,
como a recolhes inesperamente e a tornas tua.]

histórias de amor


As mais bonitas histórias de amor não são as que se escrevem, se idealizam, se sonham, se anseiam, se desejam, se planeiam. São as que se vivem. São aquelas que se fazem com o coração a bater fora do peito, as que se vivem com a (in)consciência do risco de tudo perder mas também de tudo poder ganhar.
Só assim vale a pena viver: sem medo.

12.9.10

E depois?

Há dias assim, em que o mundo podia até desabar ao nosso lado que aquele sorriso e aquele susurro ao acordar já nos levaram para outro universo. Nosso, só nosso.

Amizade

Hoje cruzei-me com esta nossa fotografia e pensei na quantidade de anos, meses, dias, horas e minutos em que já nos aturamos um ao outro. Como de conhecimento teatral se fez esta amizade mais sólida que a própria vida, como de colega te tornaste a amiga essencial. Como é tudo mais fácil porque existes, porque me entendes como ninguém, porque nunca me largas a mão. Contigo tenho a força que preciso juntar à minha. Esta foto tem para mim o sabor da verdadeira amizade. E sim é possível amar toda a vida.

às vezes sinto...


...que me apetece parar o tempo e fazer tudo andar para trás - não por insatisfação com o presente, mas sim porque há momentos que sabemos que não voltarão a repetir-se. Custa aceitar que é impossível repetir o irrepetível e que tudo tem o seu tempo. O que lá vai... lá vai.


Por vezes sentimos as coisas antes
destas acontecerem e sabemos que
mesmo que o barco regresse um dia,
não voltará a ser o mesmo...

29.7.10

Dias


Há dias que têm cheiro. Dias que têm sabor. Dias que não acabam.
Dias que passam a ser parte dos dias mais deliciosos das nossas vidas.
ONTEM.

23.7.10

Adeus (palavras gastas)

Hoje: um daqueles poemas que releio vezes sem conta e que me faz vibrar com o sabor de cada palavra. Belíssimo. Absolutamente.


"Adeus (palavras gastas)", Eugénio de Andrade


Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
E o que nos ficou não chega
Para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
Gastámos as mãos à força de as apertarmos,
Gastámos o relógio e as pedras das esquinas
Em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras
E não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro!
Era como se todas as coisas fossem minhas:
Quanto mais te dava mais tinha para te dar.


Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes!
E eu acreditava.
Acreditava,
Porque ao teu lado
Todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
No tempo em que o teu corpo era um aquário,
No tempo em que os meus olhos
Eram peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco, mas é verdade,
Uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor...,
Já se não passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
Tenho a certeza
De que todas as coisas estremeciam
Só de murmurar o teu nome
No silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
Não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus.

e depois?


O único problema do tratado da paixão é querer perpetuá-la no tempo, sabendo que um dia o tempo nos encosta à parede e nos pergunta: e agora?
Seguimos em frente?
Às vezes sabemos a resposta. Outras vezes não.

Não penso muito. Hoje sigo. Sinto. Desejo. Quero.

22.7.10

!!!


[Há quem se preocupe muito com o que os outros pensam de si.
Eu preocupo-me mais com o que eu penso de mim. ]

19.7.10

unconditional love


["Piglet: Winnie, how do you spell love?
Winnie: You don’t spell love, Piglet. You feel it." ]
[do teu querer
se fazem as minhas emoções. ]
Há palavras que te quero dizer devagar para um dia, quando as desembrulhares, não se rasgarem pelos vincos. Digo-tas todas: sente-as com a minha voz nos teus ouvidos, com as minhas mãos no teu corpo, com os meus lábios nos teus.

13.7.10

(L)

Enleio-me por completo nos teus olhos.
Afinal...era por ti que esperava.

12.7.10

cores de Verão


Férias. Algarve. Sol. Mar. Vela.
E...

9.7.10

abraço


Este abraço é para tu levares entre os dedos das tuas mãos.
Os teus dedos que eu conheço um a um.
Leva este abraço apertado entre eles.
Quando te deitares, à noite, abre a tua mão devagar,
Deixa-o sair, o abraço, que é meu.

...

[gosto...
... do arrepio na pele provocado pelo calor...]

7.7.10

...


por vezes os meus lábios libertam palavras soltas.
são as que gostava de tatuar na ponta dos meus dedos para nunca as esquecer.

6.7.10

...

Adoro
Pegar na minha guitarra e voar até ti,
Sentar-me no parapeito da tua janela
E cantar-te uma canção de amor.

água de mim


Deixo-te água de mim,
A que me cresce na boca porque te desejo.
A que me cai dos olhos quando a saudade me sabe a ti.
Dou-te, esta água pequena de mim,
Suor das noites em que não te encontro,
Gotas do amor que faço, contigo, mesmo quando não estás.



ly*

entre ti e ti


*
Porque eu tenho o teu sorriso na cabeça.
Porque me roubaste os olhos e mostraste os teus,
Cheios de palavras por dizer.
Como os meus.

5.7.10

teu

Medir as palavras.
Escutar-te através do papel,
Desenhar o teu cheiro,
Olhar-te nos olhos quando me desnudo da maquilhagem de palco.

Sabes... às vezes apetece-me escrever-te!
Falar através do papel,
Rir-me enquanto roo a caneta,
Pegar-te na mão enquanto as palavras aparecem!

Ás vezes, meu amor, troco a vontade de escrever, pela necessidade de te sentir.

Piano-bar

Nessa noite de piano-bar,
Cantei só para ti.
Não sabias.
Cantei-te em cada palavra.
Beijei-te em cada verso.
Sorri-te.
Sorriste-me.
(A)percebeste-me.
O meu olhar cruzou no teu
E assim nos amamos naquele ar
Que sendo de todos, era só nosso.
Respirei-te à vista de todos.
Ninguém notou.
Cabes só em mim.

Perco.me


À minha maneira,
Nesta minha estranha maneira de existir
Com urgência,
Seguindo por caminhos traiçoeiros que sempre foram seguros para mim.

Os teus beijos são o céu,
Perco-me.

Canção da vida.

Há tanto tempo que me esperas,
Eu sei quem tu és.
Há quanto tempo desesperas,
Eu sei como és.
Trazes a noite nos teus olhos violentos
Últimos bares, cigarros, copos e jogo,
Últimos beijos, os últimos momentos,
Último abraço que pôs o teu corpo em fogo.
Para saberes de amor quantos corpos conheceste?
Para saberes de amor quantas noites tu viveste?

Para saber de amor, quanto amor e solidão,
Para saber de amor foi vádio o meu coração.

Trazes no corpo os sonhos que uma vez amei,
Sonhos de uma só noite que nunca mais encontrei.
Trazes esta canção, esta dor de despedida.
Uma triste canção, a canção da tua vida.

memória de luz



...olho para trás e recordo-me apenas de lençóis revolvidos a meia luz, de um perfume ainda morno, dos nossos beijos a troco de tudo.

...

TU.
Tudo o que me apetecia voltar a ter.

...!


...sem querer trago-te comigo - naquele bolso desobediente onde me cabem os sonhos - aconchegado no peito.

uma luz


[... o teu corpo... a minha casa...]

...



o silêncio. (re)começar.
o mundo...claro novamente.
todos os dias.
a noite ficava guardada... nos meus ouvidos.
acumulava-se por dentro...

escurecia...
destruía o meu coração.
cinza... pó... negro...

4.7.10

Início dos sorrisos



...largas rastos de fogo e luz pelos meus dias.
curas horas tristes com a ponta dos teus dedos.
graças a ti...
enterrei para sempre fotografias antigas...
de pó e lágrimas.
é finalmente o ínicio dos sorrisos...

25.1.10

Olho-te

Posso fazer uma pausa e dizer: olho-te. Não creio que qualquer figura de estilo lhe acrescentasse alguma coisa. Os meus olhos chegam para envolver o teu corpo e dizer-me que respiro e, depois, dizer simplesmente: olho-te. Não espero deste gesto um poema, para transcendência basta-me o teu corpo, ali, precisamente onde o meu olhar pousa. Que eu te escreva num momento diferente daquele em que te olho não chega a ser realmente importante. Escrevo apenas para conservar esse olhar, para o segurar no preciso momento em que existiu, para guardar com nitidez a imagem da tua nudez, para guardar para sempre as tuas palavras. E não me importa que o texto descanse, como naquele momento o meu corpo descansava, porque ambos, as minhas palavras e o meu corpo, te olham a distâncias diferentes, enquanto dizem apenas: amo-te.

Melodia de duas bocas

Olho-te ainda mais lentamente. Há qualquer coisa de sagrado neste acordar, neste corpo vivo, vibrante e nesta alma dormente. Há qualquer coisa de sagrado nesta vontade de te tocar. Aproximo a boca das tuas costas, molho os lábios com a língua e beijo-te, levemente. Rodopiaste na minha direcção, sorriste e disseste:
- Posso dizer uma coisa? Não sei mesmo se sem ti sou. A importância do que penso inscreve-se somente nestes espaços quase inexistentes entre ti e mim. Quase inexistentes...
Oiço-te e sinto dentro de mim a maravilha que nasce com a descoberta das coisas novas. Puxei-te para mim e entre os meus braços descansaste desta sombra. Brandamente foste contando da melodia que o teu corpo escreve só para mim. O mundo existe apenas no local solar para onde os teus olhos olham, do outro lado apenas existe uma sombra, gigantesca, sem sentido, sem sentidos, como se eu fosse cego sem essa luz, como se as minhas mãos perdessem o seu sentido primordial: o teu corpo.
Desviei os meus olhos para os teus. Ao longo do teu corpo morriam as estrelas. A noite partira.
E, lentamente, o sol rompeu no céu da tua boca.

21.1.10

As sombras de ontem

O brilho dos teus olhos.
Incessante.

20.1.10

Por vezes


Pela dança vamos entrando, pelo ar que respiramos.
Nas passagens de uns pelos outros, só a imaginação se toca.
Feliz por vezes, no encontro da voz.
Mas em dias assim,tudo corre bem.
Era uma vez uma brisa, um sonho, um tempo.
Os passos aprendem-se até à perfeição. O resto não.

Vieste



Vieste na hora exacta, com ares de festa e luas de prata.

Vieste com encantos, vieste com beijos silvestres colhidos para mim, vieste com a Natureza, com as mãos camponesas plantadas em mim.

Vieste de olhos fechados num dia marcado, sagrado para mim.

Vieste com a cara e a coragem, com malas, viagens, para dentro de mim.