9.10.11

1 ano

Assim que a vi eu soube. Aqueles olhos grandes azuis eram como dois peixes num aquário de brandura. A delicadeza com que pegava na chávena do café, o sorriso terno com que brindou a empregada que lhe deu o troco, o embaraço perante o meu olhar que se fixou em tamanha beleza…era capaz de a fitar a tarde inteira, admirando-lhe cada passo, cada gesto imaculado. Havia nos traços do perfil um destino, um sítio onde me queria deixar ficar. Não resisti. Aproximei-me. Fiz-me conhecer. Absorvi-lhe cada detalhe e saboreie cada palavra, cada letra que trocamos nessa tarde. Nessa noite adormeci e acordei com borboletas na barriga. Apaixonei-me. Há muito que ninguém tinha aquele efeito sobre mim. Ela tinha acabado de me devolver o significado de saber amar uma mulher. Ela: a mulher que eu mais amo neste mundo. Tu, ao meu lado, esses olhos tão profundos e tão transparentes que me fazem mergulhar num “amo-te” que me faz sorrir o dia todo numa soma de 365 dias absolutamente felizes. Esperei por ti, sem saber. Um ano…o primeiro de uma eternidade, só nossa. Amo-te.



P.S.- Tu sabes que não sou escritor, que apenas te dedico em letras o meu amor. Sabes também que não sou amante, que apenas vivo em ti, a todo o instante.

6.10.11

amanheceres


[Acordei de um sono suave com o teu nome nos lábios.

Soou baixinho. No início nem abri os olhos e pensei que estivesse ainda a dormir.]

ser

Diria de mim que sou vento que sopra no abraço da tarde, que sou folha que paira no ar fresco da manhã, que sou estrela cadente que na noite se precipita para o azul do teu olhar. Poderia pensar de mim que sou um anjo com asas arrumadas, a tentar ser homem, a procurar preencher os meus nadas. Mas sei que sou palavra, escrita na folha imaculada, que sou verso sem sentido no anverso do teu corpo. Sei que sou letra tatuada na parede da tua alma, na pele despida do teu preconceito, na brisa que é a saudade, a eternidade. Depois, é nas ondas do teu corpo feito de mar que me encosto, que flutuo como barco de papel, com prosas descritas nas marés que navego. Sei que ser gente dói profundamente porque se sente no corpo por aqueles que sabemos ausentes.