29.7.10

Dias


Há dias que têm cheiro. Dias que têm sabor. Dias que não acabam.
Dias que passam a ser parte dos dias mais deliciosos das nossas vidas.
ONTEM.

23.7.10

Adeus (palavras gastas)

Hoje: um daqueles poemas que releio vezes sem conta e que me faz vibrar com o sabor de cada palavra. Belíssimo. Absolutamente.


"Adeus (palavras gastas)", Eugénio de Andrade


Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
E o que nos ficou não chega
Para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
Gastámos as mãos à força de as apertarmos,
Gastámos o relógio e as pedras das esquinas
Em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras
E não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro!
Era como se todas as coisas fossem minhas:
Quanto mais te dava mais tinha para te dar.


Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes!
E eu acreditava.
Acreditava,
Porque ao teu lado
Todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
No tempo em que o teu corpo era um aquário,
No tempo em que os meus olhos
Eram peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco, mas é verdade,
Uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor...,
Já se não passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
Tenho a certeza
De que todas as coisas estremeciam
Só de murmurar o teu nome
No silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
Não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus.

e depois?


O único problema do tratado da paixão é querer perpetuá-la no tempo, sabendo que um dia o tempo nos encosta à parede e nos pergunta: e agora?
Seguimos em frente?
Às vezes sabemos a resposta. Outras vezes não.

Não penso muito. Hoje sigo. Sinto. Desejo. Quero.

22.7.10

!!!


[Há quem se preocupe muito com o que os outros pensam de si.
Eu preocupo-me mais com o que eu penso de mim. ]

19.7.10

unconditional love


["Piglet: Winnie, how do you spell love?
Winnie: You don’t spell love, Piglet. You feel it." ]
[do teu querer
se fazem as minhas emoções. ]
Há palavras que te quero dizer devagar para um dia, quando as desembrulhares, não se rasgarem pelos vincos. Digo-tas todas: sente-as com a minha voz nos teus ouvidos, com as minhas mãos no teu corpo, com os meus lábios nos teus.

13.7.10

(L)

Enleio-me por completo nos teus olhos.
Afinal...era por ti que esperava.

12.7.10

cores de Verão


Férias. Algarve. Sol. Mar. Vela.
E...

9.7.10

abraço


Este abraço é para tu levares entre os dedos das tuas mãos.
Os teus dedos que eu conheço um a um.
Leva este abraço apertado entre eles.
Quando te deitares, à noite, abre a tua mão devagar,
Deixa-o sair, o abraço, que é meu.

...

[gosto...
... do arrepio na pele provocado pelo calor...]

7.7.10

...


por vezes os meus lábios libertam palavras soltas.
são as que gostava de tatuar na ponta dos meus dedos para nunca as esquecer.

6.7.10

...

Adoro
Pegar na minha guitarra e voar até ti,
Sentar-me no parapeito da tua janela
E cantar-te uma canção de amor.

água de mim


Deixo-te água de mim,
A que me cresce na boca porque te desejo.
A que me cai dos olhos quando a saudade me sabe a ti.
Dou-te, esta água pequena de mim,
Suor das noites em que não te encontro,
Gotas do amor que faço, contigo, mesmo quando não estás.



ly*

entre ti e ti


*
Porque eu tenho o teu sorriso na cabeça.
Porque me roubaste os olhos e mostraste os teus,
Cheios de palavras por dizer.
Como os meus.

5.7.10

teu

Medir as palavras.
Escutar-te através do papel,
Desenhar o teu cheiro,
Olhar-te nos olhos quando me desnudo da maquilhagem de palco.

Sabes... às vezes apetece-me escrever-te!
Falar através do papel,
Rir-me enquanto roo a caneta,
Pegar-te na mão enquanto as palavras aparecem!

Ás vezes, meu amor, troco a vontade de escrever, pela necessidade de te sentir.

Piano-bar

Nessa noite de piano-bar,
Cantei só para ti.
Não sabias.
Cantei-te em cada palavra.
Beijei-te em cada verso.
Sorri-te.
Sorriste-me.
(A)percebeste-me.
O meu olhar cruzou no teu
E assim nos amamos naquele ar
Que sendo de todos, era só nosso.
Respirei-te à vista de todos.
Ninguém notou.
Cabes só em mim.

Perco.me


À minha maneira,
Nesta minha estranha maneira de existir
Com urgência,
Seguindo por caminhos traiçoeiros que sempre foram seguros para mim.

Os teus beijos são o céu,
Perco-me.

Canção da vida.

Há tanto tempo que me esperas,
Eu sei quem tu és.
Há quanto tempo desesperas,
Eu sei como és.
Trazes a noite nos teus olhos violentos
Últimos bares, cigarros, copos e jogo,
Últimos beijos, os últimos momentos,
Último abraço que pôs o teu corpo em fogo.
Para saberes de amor quantos corpos conheceste?
Para saberes de amor quantas noites tu viveste?

Para saber de amor, quanto amor e solidão,
Para saber de amor foi vádio o meu coração.

Trazes no corpo os sonhos que uma vez amei,
Sonhos de uma só noite que nunca mais encontrei.
Trazes esta canção, esta dor de despedida.
Uma triste canção, a canção da tua vida.

memória de luz



...olho para trás e recordo-me apenas de lençóis revolvidos a meia luz, de um perfume ainda morno, dos nossos beijos a troco de tudo.

...

TU.
Tudo o que me apetecia voltar a ter.

...!


...sem querer trago-te comigo - naquele bolso desobediente onde me cabem os sonhos - aconchegado no peito.

uma luz


[... o teu corpo... a minha casa...]

...



o silêncio. (re)começar.
o mundo...claro novamente.
todos os dias.
a noite ficava guardada... nos meus ouvidos.
acumulava-se por dentro...

escurecia...
destruía o meu coração.
cinza... pó... negro...

4.7.10

Início dos sorrisos



...largas rastos de fogo e luz pelos meus dias.
curas horas tristes com a ponta dos teus dedos.
graças a ti...
enterrei para sempre fotografias antigas...
de pó e lágrimas.
é finalmente o ínicio dos sorrisos...