24.11.10

...

[Fazer amor é engolir no corpo....

                                        .......a Alma!]

E os outros...!

*
Só nós.
Só os nossos escondidos murmúrios,
Só as nossas madrugadas de prazeres e delírios.
Gemidos de vida.
E o mundo que se engane,
Que finja não ver
Que pense não ser...!
**

18.11.10

Mulheres

Final de tarde. Camarim, provavelmente o sítio mais especial do mundo, aquele onde me dispo de mim e me visto de personagem. E é nesta passagem que relembro pedaços do meu espectáculo. Quantas coisas passadas, quantos momentos, quantos êxtases, quantas mulheres. Quantas diferenças entre si, tão diferentes e no fundo, tão iguais. Algumas simplesmente evaporaram-se no tempo, outras mantêm-se vivas na lembrança. Umas tão quentes, outras nem tanto. Umas que queriam ser, outras que eram sem saber. Umas quis que fossem, outras que nem vieram.
Umas que preencheram lacunas, outras que acariciaram o meu ego. Algumas só mataram desejos, outras fizeram-me refletir. De umas ainda aguardo respostas, a outras nem perguntas fiz. Umas entenderam-me, outras nem tentaram. Umas só foram usadas, outras apenas me usaram. Umas viraram mães, outras viraram tias, algumas por não querer, outras sem outra opção.
A umas e outras devo o mesmo respeito.  

8.11.10

Versos de amor


Os melhores versos de amor que fiz não foram escritos, foram desenhados. Aguarela febril no sublime de um corpo. Mulher. Tateados qual braile em olhos fechados, sentindo arrepios na ponta dos dedos. A humidade no espaço do puro desejo. Versos que se multiplicam, que palpitam. Versos apenas feitos no alucinado contacto da inspiração do cheiro, da pele, do suor. Versos absorvidos pelo som de uma louca sonata de gemidos sussurrados. Espasmos sem controlo como espírito incorporado num corpo entregue, abandonado, pedinte, largado ao poder lascivo do prazer, enxarcado na luxúria. Amor que se rende numa cama, pódio em despudor usado sem grafia, sem parágrafos, sem caneta nem papel. Corpo amado, desejado, possuído pelo homem em mim poeta. Sem letras nem rimas, apenas amor em forma de poesia.

...

[Abres-me a tua porta, olhamo-nos, sorrio, 

                                            convite mudo que entendes.]

6.11.10

Todo o tempo


Quero despir-te aos poucos,
Sem pressa.
Quero sentir-te em detalhes,
Tocar-te. 
Correr as minhas mãos em ti,
Como que te moldando.
Arrepiar-te a pele, 
Fazer-te em desejo. 

Esta noite

Eu quero o teu tempo

Todo. 

5.11.10

Sou

Eu sou naturalmente a sensação que sinto, a sensação que transmito sem mordaças, sem máscaras, sem artifícios. Vivo em função da minha satisfação, dos meus desejos, da minha vontade de fazer o bem mesmo com a certeza do quanto mal já fiz. Vivo a vida. Com amor, com as certezas que penso ter, às vezes doces e ilusórias certezas planando ao sabor libidinoso do vento que as leva sem obstáculos, sem negativos. Vivo nas nuvens da vida, do amor, das ilusões. Por outro lado vivo o meu temperamento felino nos meandros da inconsequência sem ser inocente. Sou o que quero. Sou o que sou, sou o que quero ser em total cumplicidade com as minhas intuições. Vou até onde o meu instinto me leva. Vivo de mãos dadas entre o meu Eu de emoções com o meu Eu racional que me regula, que me soma e subtrai, sempre nas minhas perfeitas faculdades. E nesta balança dentro de mim vivo com a plena consciência da felicidade que procuro, que almejo. Quero mais sem nunca precisar de fugir de mim. Tudo o que faço é profundamente consciente nas saídas, nas fugas e até nas inverdades. Não sou um mistério mas também não sou figura fácil. Sou dentro do possível apenas eu. Vivo de amores. Lógicamente por não me interessar morrer.

...


[Escorre ainda em ti
A tinta do poema
Que desenho na tua pele.]

3.11.10

Perfeição

Os lençóis desarrumados, as roupas espalhadas, os copos vazios. Copos vazios, coração cheio, corpos exaustos, denunciando que o amor ali acontecera. A vela ainda acesa, ainda queima e, suavemente ilumina os nossos corpos. Vagarosamente, sinto-te respirar, dormindo, entregue, a sonhar, deliciosa. Observo a tua pele, os teus contornos, vejo a satisfação no teu rosto. O sorriso embala o teu sono.   

Quadro bonito, cena grata, deliciosa de olhar. A vontade aumenta, quero abraçar-te e envolvo-te com os meus braços, para te ter agarrada a mim.

Ainda a dormir exclamas, languidamente: "Amo-te tanto!". E num impulso calo os teus lábios com um beijo macio, tranquilo, delicioso. Beijo sonhado a sonhar com o teu beijo, a acordar beijando-te. As nossas mãos começam a procurar-nos de novo. O desejo reacende. 

E a perfeição repete-se.  

1.11.10

Quem sonha vive

Quando se tem alguém na vida que sonha tão grande quanto nós, que sonha de olhos abertos como nós, que planeia cada detalhe da concretização dos sonhos connosco, que nos leva ao colo e nos tira o peso do mundo dos ombros......quando temos alguém assim na vida devemos abraçá-la forte, bem forte e dizer-lhe baixinho, a cada minuto, por cada sorriso, por cada sonho, por cada momento de amor o quanto se gosta dela, o quanto nos faz feliz e o quanto queremos senti-la feliz. Sempre.

Paixão

Nunca nos apaixonamos para sempre. 

Apaixonamo-nos no mínimo...

No mínimo para a eternidade!