8.11.10

Versos de amor


Os melhores versos de amor que fiz não foram escritos, foram desenhados. Aguarela febril no sublime de um corpo. Mulher. Tateados qual braile em olhos fechados, sentindo arrepios na ponta dos dedos. A humidade no espaço do puro desejo. Versos que se multiplicam, que palpitam. Versos apenas feitos no alucinado contacto da inspiração do cheiro, da pele, do suor. Versos absorvidos pelo som de uma louca sonata de gemidos sussurrados. Espasmos sem controlo como espírito incorporado num corpo entregue, abandonado, pedinte, largado ao poder lascivo do prazer, enxarcado na luxúria. Amor que se rende numa cama, pódio em despudor usado sem grafia, sem parágrafos, sem caneta nem papel. Corpo amado, desejado, possuído pelo homem em mim poeta. Sem letras nem rimas, apenas amor em forma de poesia.

1 comentário: