18.11.10

Mulheres

Final de tarde. Camarim, provavelmente o sítio mais especial do mundo, aquele onde me dispo de mim e me visto de personagem. E é nesta passagem que relembro pedaços do meu espectáculo. Quantas coisas passadas, quantos momentos, quantos êxtases, quantas mulheres. Quantas diferenças entre si, tão diferentes e no fundo, tão iguais. Algumas simplesmente evaporaram-se no tempo, outras mantêm-se vivas na lembrança. Umas tão quentes, outras nem tanto. Umas que queriam ser, outras que eram sem saber. Umas quis que fossem, outras que nem vieram.
Umas que preencheram lacunas, outras que acariciaram o meu ego. Algumas só mataram desejos, outras fizeram-me refletir. De umas ainda aguardo respostas, a outras nem perguntas fiz. Umas entenderam-me, outras nem tentaram. Umas só foram usadas, outras apenas me usaram. Umas viraram mães, outras viraram tias, algumas por não querer, outras sem outra opção.
A umas e outras devo o mesmo respeito.  

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