Era refugiado na transparência do olhar, debelando uma timidez à distância a que não resistia ao vivo, concordando às escondidas como se fazê-lo de outra forma fosse uma afronta, que percebera ser a sua vida feita de pretéritos e memórias. Ácidas umas, doces as outras, por vezes era na noite fresca com míngua de chuva e um quarto de lua que, lenta e suavemente, regressava às palavras. Amavam-se por palavras. Mais que perseguidos eram empurrados por elas . Ganhavam contornos de fino recorte literário que apelavam aos sentidos de uma forma tão física quanto o permitia a metáfora colada à alma com a pontuação dedilhando borboletas no estômago... Um ganho constante e diário de troca de afectos em jeito de expressões indicando um caminho.
20.1.13
caixa de letras
Era refugiado na transparência do olhar, debelando uma timidez à distância a que não resistia ao vivo, concordando às escondidas como se fazê-lo de outra forma fosse uma afronta, que percebera ser a sua vida feita de pretéritos e memórias. Ácidas umas, doces as outras, por vezes era na noite fresca com míngua de chuva e um quarto de lua que, lenta e suavemente, regressava às palavras. Amavam-se por palavras. Mais que perseguidos eram empurrados por elas . Ganhavam contornos de fino recorte literário que apelavam aos sentidos de uma forma tão física quanto o permitia a metáfora colada à alma com a pontuação dedilhando borboletas no estômago... Um ganho constante e diário de troca de afectos em jeito de expressões indicando um caminho.
24.6.12
15.11.11
voz
9.10.11
1 ano
Assim que a vi eu soube. Aqueles olhos grandes azuis eram como dois peixes num aquário de brandura. A delicadeza com que pegava na chávena do café, o sorriso terno com que brindou a empregada que lhe deu o troco, o embaraço perante o meu olhar que se fixou em tamanha beleza…era capaz de a fitar a tarde inteira, admirando-lhe cada passo, cada gesto imaculado. Havia nos traços do perfil um destino, um sítio onde me queria deixar ficar. Não resisti. Aproximei-me. Fiz-me conhecer. Absorvi-lhe cada detalhe e saboreie cada palavra, cada letra que trocamos nessa tarde. Nessa noite adormeci e acordei com borboletas na barriga. Apaixonei-me. Há muito que ninguém tinha aquele efeito sobre mim. Ela tinha acabado de me devolver o significado de saber amar uma mulher. Ela: a mulher que eu mais amo neste mundo. Tu, ao meu lado, esses olhos tão profundos e tão transparentes que me fazem mergulhar num “amo-te” que me faz sorrir o dia todo numa soma de 365 dias absolutamente felizes. Esperei por ti, sem saber. Um ano…o primeiro de uma eternidade, só nossa. Amo-te.
P.S.- Tu sabes que não sou escritor, que apenas te dedico em letras o meu amor. Sabes também que não sou amante, que apenas vivo em ti, a todo o instante.
6.10.11
amanheceres
ser
26.9.11
[...]
14.9.11
entrega

13.9.11
proeminência

Perfilo-me na estranha saliência que o teu corpo provoca no ar ao caminhar. Sigo-te como se fosse detrás do teu passar e vou absorvendo os detalhes, as curvas e os instantes em que te constróis como ponte oscilante sobre o vazio enorme do vale que se forma no meu corpo côncavo. Vem! Deixa-te tombar sobre a nudez do espaço como se fosses cometa em aproximação ao sol que te derrete os sentidos e te faz entrar em combustão. Anda! Vem colidir com o meu corpo despido numa erupção ancestral de momentos delirantes, em que ambos somos amantes, amados, fundidos, enrolados no turbilhão desta espiral galáctica pontilhada com o brilho dos teus olhos.
12.9.11
entardecer
11.9.11
...
Mergulho profundamente na intimidade do teu corpo. Sustenho a respiração e nado no teu entorno. Sentes como agito as tuas águas, como nelas me banho, como nelas me deito. Há na fluidez das tuas linhas uma essência que me alimenta, nos contornos do teu corpo um encanto que se assemelha à floresta virgem, algo por desbravar que sustento na ponta dos lábios, prontos para te beijar a pele macia. É nas folhas que se abraçam ao vento que te envio escritos eternos, como páginas dum diário por escrever, como esculturas em pedra por desfazer. Emerjo para te respirar, como se fosses ar. E no sol vejo o brilho incandescente dos teus olhos que do céu não param de me olhar.
9.9.11
pintura

É em silêncio que invento o teu corpo, os traços que riscam as folhas, os tons que se mesclam na água pintando cada detalhe, cada nuance, na curva mais apertada das tuas ancas. Apesar de não haver ruído percebe-se no ar o teu gemido ao seres pintada suavemente pelos pincéis dos meus dedos. Esta cumplicidade entre pintor e pintura é o sublimar do erotismo: um eu em nós que se faz de carícias, de tons, de traços indeléveis que percorrem o corpo como linhas imaginárias que nos unem, nos abraçam e nos comprimem, um contra o outro. Neste bailado, o branco do papel fica matizado e nesse momento ofereço-te a alma que pinto no brilho da tua luminosidade. Percebo como me olhas, com a cumplicidade dos amantes que se tocam num perpétuo instante.
convexidade

Fico imóvel, perante a magnitude do teu olhar. Quero naufragar-me em ti.
27.6.11
tu. sempre tu.

7.5.11
alguém
... que me despe com um só olhar.
Me sonha...
... vestido de palavras.
Alguém...
4.5.11
...
Falámos muito não me recordo de quê,
E no calor dos corpos crescia o desejo.
Caminhámos pela cidade,
Eu metia as mãos nas algibeiras,
Onde tacteava tudo o que guardara e possuía.
Um lenço, um isqueiro, um bloco de notas.
Sentia-me feliz por quase nada possuir.
A imagem azulada das tuas mãos flutuava diante de mim,
Gesticulava para me dizer que estávamos vivos,
E apaixonados.
24.3.11
Gosto-te
23.3.11
...
[O mundo emociona-me! O arrepio de estar vivo e testemunhar a beleza como um roubo ou um assalto permitido...a alegria da desobediência...o imperativo de ser feliz!]
felicidade
Naquilo que é o amor que tu me ensinaste!]
13.3.11
momento






