
Na curvatura do teu dorso, descubro o pôr-do-sol, expoente máximo do fim de um dia. Este silêncio calmo com que sabiamente me entregas o teu mais íntimo momento é o culminar dos sentires, dos desejos com que em mim te deitas, nua, como a lua que aos poucos nasce do horizonte. Há percursos por descobrir em nós, pequenas pregas de pele que sulcam suavemente o mar do teu corpo. É delicioso este instante, este em que me permito descer ao teu profundo ser. Nos lábios, comprimidos suavemente, retenho o sabor da tua pele, enquanto degusto com os meus olhos as linhas suaves com que se veste a tua silhueta. É um sublime prazer, esse de te poder ver, na forma mais intimista de te ter. Contemplar a beleza é tê-la ao alcance da mão e não querer tocá-la, por não querer deixar de olhá-la.
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