4.5.11

...

Cruzámos olhares cúmplices,
Falámos muito não me recordo de quê,
E no calor dos corpos crescia o desejo.
Caminhámos pela cidade,
Eu metia as mãos nas algibeiras,
Onde tacteava tudo o que guardara e possuía.
Um lenço, um isqueiro, um bloco de notas.
Sentia-me feliz por quase nada possuir.
A imagem azulada das tuas mãos flutuava diante de mim,
Gesticulava para me dizer que estávamos vivos,
E apaixonados.

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