14.3.09

No chão húmido


Tudo não passa de um rumor incandescente,
Os lampejos de ontem ainda vibram sem fim.
Vieste e foste e eu sem ver gente
Devoto-me ao canto mais recôndito de mim.

Foi aqui, no chão húmido que me ampara,
Que tiraste as vestes da cor do açafrão,
E o teu corpo desnudo em candura de ave rara
Abraçou o meu, com um beijo na mão.

Louco, nas certezas cálidas do coito animal,
Sorvi o alento da paixão não esquecida.
Trouxeste-os em ti, anjo audaz e sensual
E, sem dizeres tua graça, levaste-me contigo.

Agora foste, voltas mas não estás.
Agora fico, vou e ainda sou.
Este pedaço de carne que aqui jaz
É a memória do tempo que me deixou.

Sinto-me a arrefecer…Neste cantinho meu.

3 comentários:

  1. Mais um talento teu, desconhecido do grande público. É um privilégio para mim, poder ler estas relíquias fruto da tua alma tão bonita.

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  2. As tuas palavras são de uma beleza, de uma profundeza incríveis. Estou fascinada!

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  3. Cada vez me deixas mais encantada por ti...és tão perfeito em tudo!

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