
Gosto de lugares claros onde veja o que sinto e sinta o que vejo.
Não gosto de adivinhar nuvens em céus abertos, nem de olhar para além de nevoeiros cerrados. Fico quieto no meu canto e espero que pare o tempo que me tapa a vista e tolda a mente para abrir os olhos e ver de novo.
Com olhos de ver. Em lugares de onde nada se deixa esconder.
Na verdade não gosto dos lugares onde se adivinham coisas que fazem mal à alma.
Ou de sítios onde tenha de alongar os olhos para ver o que me é dado ver sem ter de me esforçar.
Gosto dos lugares onde tudo é límpido e transparente.
Como eu o sou.
Viajo por todos sem medos. De nenhum fujo.
Mas recuso-me a habitar em alguns. Nos escusos, nos dúbios.
Naqueles onde a dúvida se instala. A desconfiança se abate.
Não lhes pertenço. Não são a minha casa. Nem meu pouso.
Não viaja comigo quem gosta de lugares assim.
Um texto "límpido e transparte", sem dúvida como Tu.
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