
Rejeito a forma disforme do seu acinte.
Intentos se quebram na raíz, desfazem-se sem resistência, acobardam-se. Vil intromissão.
Não o chamo. Não o quero. Desminto convenções. Mesmo assim, ele fica. Fita-me com desdém, traz no olhar o escárnio instintivo do logro, rouba-me a integridade. Devolve-me à frívola condição do nada, reduz-me à ínfima dimensão de grão de pó, esmaga-me entre os dedos secos. Relembra-me a contingência da incerteza. Que fazer? Que ser?
Não suporto as risadas insonoras que escuto nas profundezas da memória. Anamneses perturbáveis. Afinal também as há. Derramam-se nas veias, confundem-se no sangue, esquadrinham o corpo e tomam-no de assalto. Suores frios. Inércia inevitável. Inacção. Das sombras de antanho que cobrem o hoje, no exacto instante em que menos convêm, brotam os fluídos que secam os filões de resgate. Não há salvação. O revés anunciado do sempre confirma-se. É evidente. Degrada-me e corrompe-me. Não me mexo mas sinto-o. Está em mim. Eu faço-o, ele desfaz-me. Sou simultaneamente pai e rebento parricida. Perco-me na encruzilhada filial.
Ele cresce com o viço de um imortal. Jamais perecerá. Eu sim, às mãos desse reles parasita. Enoja-me esse invisível monstro asfixiante.
Repugna-me o medo.
Absolutamente excepcional! Adoro as tuas palavras. Tens o dom da escrita não há dúvida.
ResponderEliminarA M E I !!!
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