11.3.09

Só nós


Chegara! Que sentimento de segurança me invadira naquele momento. Estacionei o carro e suspirei. Fora um suspirar de alívio. Sentia falta daquelas paredes, daquele hábito que todos os dias repetia religiosamente. Fazem-me falta certas banalidades. Saí do carro, retirei as malas e corri pelas escadas. O momento pelo qual aguardara toda a semana estava prestes a acontecer. As chaves, essas, vinham na mão já prontas para abrir a porta, para me transportar para o meu mundo. Entrei, pousei as malas e...pé ante pé, procurei-te. O meu coração tremia, vasculhando cada canto. Os meus olhos deambulavam, percorrendo todo os pormenores, como se aquele local não fosse meu, não fosse nosso, como se nada me dissesse...nada!
Mas lá estavas tu! Ainda mais bonita que da última vez que te tinha deixado. O cabelo escuro, comprido, cobria-te os ombros e as tuas pernas dobradas, brilhantes sobre a quais escrevias, deixavam-me ainda com mais ânsia de te abraçar. Mas os meus pés pareciam não querer mexer-se. Era capaz de ficar ali, tão somente ali, naquele canto recondido, a observar-te. Mas não. Avancei. Estavas de costas, não me viste, não me apercebeste. Tinhas os ouvidos tapados, a ouvir-nos, escutando uma melodia que é só nossa.
Já perto de ti beijei-te o pescoço nu. Estremeceste mas não te assustaste. Saudades do teu aroma. Envolveste-me com a tua mão, olhaste-me e sorriste. Não dissemos nada, das nossas bocas, ávidas, não foi proferida uma única palavra. Os nossos olhos falaram entre si e como se entenderam perfeitamente...! E ali mesmo nos perdemos, sem pensar em mais nada...esquecemo-nos do mundo. Éramos só nós: tu e eu.

1 comentário:

  1. Admiro-te tanto!! Continua a escrever por aqui para me poder deliciar com este teu talento que teimas em esconder do grande público!

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