
20.6.09
(Em) Noite de estreia

19.6.09
Corpo in(di)visível

Esta embriaguez de pensamentos consome-me há tantas horas entre mim e ti...
A pele da minha pele é já outra, o corpo do meu corpo ganhou marcas invisiveis. Só eu sei o que carrego quando me carrego: o segredo mais incrível esconde-se aí no pulsar acelerado do meu coração, bem junto à veia que me purifica e alimenta. Não sei como falar de ti sem falar de partidas. De chegadas. De viagens por dentro de mim. De viagens por dentro de ti.
E de lugares quase impossíveis que resgatamos a mapas imaginários, o amor pode ser um bilhete de ida. Sem volta. Elle se donne. A lui. Ele dá-se também e à velocidade do pensamento. Não há nada que me impeça de estar aí. Já.
E entre uma mão e outra sobra apenas esta distância invisível. O nosso é um só corpo. Indivisível: o meu no teu, no meu no teu. Onde começa o meu. Onde acaba o teu. Nem sei se é necessário sabê-lo. ou se é apenas indizível. Talvez tenhamos que inventar um nome. Um outro nome para este amor. Lá fora alguém fala de lugares longe, longe... beijos no cais. Recomendações. Malas. Malas. Malas. A carga toda da vida em malas que nos puxam para o chão. Transporto comigo apenas o que me serve. Para estar contigo basto eu. Para estares comigo bastas tu. Assim mesmo nus. A alma como tecto. Quente regaço. Casa. Casa. Corpo. Indivisível. Invisível. Indizível.
Talvez silêncio
23.5.09
Esta palavra saudade.

Que só o coração consegue ouvir.
Impossível querer-lhe mentir.
Tal como a sombra da Lua,
Redonda, como o teu sorriso,
Quando para mim dançavas, nua.
Murmúrio, pauta de sinfonia inacabada...
Que contém os segredos dos olhares que lhe suplicam:
Dá-me a alegria, do abraço o calor...
O seu perdido sabor...
Tira da minha alma o nada.
No nada que nos separa agora
Cabe lá tudo o que quisermos
Palavras...
Que nos fazem vislumbrar o infinito...
Ir em solto grito.
Ter memórias de casa...
Guardei-as no peito várias vidas, sucessivas...
libertei-as quando te encontrei...
E mesmo no silêncio a ti me
Dei em cada palavra uma asa...
E hoje, sentado entre o espaço da saudade
e o tempo da dor...
Há uma que voltou em voo lento, sozinha
Para o profundo mar do meu olhar...
Mas veio na forma singular: amor.
Somos apenas almas que gerem com maior ou menor perícia essa saudade doída. A ausência é uma saudade arrefecida, uma saudade que nos faz ter tempo para recuar e olhar para dentro.
Dizem que o tempo cura. É mentira. A Saudade não. Nada a cura. Não sobra tempo para nada, porque todo o tempo do mundo pertence-lhe.
E eu olho esse tempo da Saudade e, devagarinho, encosto-me à memória das coisas boas, como a luz do teu olhar, sempre que alongávamos a vista pelas ondas altas de espuma a rebentarem do outro lado da janela.
E é no tempo que roubo à saudade que digo que te amo. Assim, com toda a simplicidade. Ainda que não me ouças...
12.5.09
Paraíso

4.5.09
Perdição em Bali
Quem de nós recebe a palavra,
1.5.09
Página

Sinto a tua falta.
As minhas mãos carecem do teu corpo.
Vamos ser nós outra vez?
Não suporto este vazio de coisas comuns,
Esta falta dessa terra fecunda: o teu ventre,
Onde sulcas em mim a certeza de existir.
É. Eu também não sei se sou ou não sou,
Na ausência de ti.
Apenas imagino o teu nome despir-se,
Como se fosse a minha geneologia.
Sem ti, a minha história também se dissolve.
Rasga uma das tuas páginas e crava-a em mim.
