20.6.09

(Em) Noite de estreia



Baixou o pano. Voltei a ser eu. Eu feliz. Eu realizado. Eu com saudades tuas. Percorri aqueles corredores com um objectivo: o de te encontrar, o de te abraçar e o de me abraçares...sentires como foi importante estares ali, como a tua presença torna tudo mais fácil. Entre aclamações, palavras, flores e abraços amigos faltava-me o equilíbrio, a certeza. Entrei no camarim. Média-luz. E ali estavas tu. Tranquei a porta. Abraçamo-nos com uma força desenvolta e tive a certeza que estavas tão feliz como eu. De poucas palavras apenas te queria olhar nos olhos, observar a tua beleza e banhar-me na calmaria que me ofereces. Susurrei-te ao ouvido...e, então a penumbra invadiu o espaço, o perfume do incenso subiu em espirais de fumo suave e, a luz das luzes do espelho acesas tremiam agitando com elas as sombras dos nossos corpos já desnudos. Deixei os meus dedos escorrerem como água sobre a tua pele clara, percorrendo como o vento, cada curva, cada detalhe teu. A minha boca, deixou escapar a língua que pousou sobre o teu peito, desenhando sobre ti, como se duma tela se tratasse. As minhas mãos abraçaram a curvatura dos teus seios, com a luxúria e o desejo guardado por mil anos. A música tocava tranquila, misturando-se com os perfumes e essências. E ali continuávamos indiferentes à agitação exterior: eramos só nós, tu e eu. Os meus olhos prenderam-se dos teus, que se fecharam para sentir mais profundamente. O teu corpo, colado no meu, estremesseu de saudade, recordando os tempos em que já me tiveste naquele espaço, em que já fomos apenas um e nos amávamos até à exaustão na média-luz da Arte. Senti-te chegar em mim, senti o meu corpo entrar no teu, e a alma dissolver-se na tua como açúcar. Nesse instante, fechei os olhos e juntei-me a ti, para lá dos limites do mundo que apenas os olhos conhecem. Deixei que os sentidos nos levassem numa viagem atrás no tempo. As almas vibraram ao ritmo dos corpos, em expasmos de prazer, e estes, já exaustos, cederam... Suavemente os corações ganharam de novo uma pulsação suave, a música voltou para relaxar e distendê-los, enquanto as almas dançavam sobre o espaço vazio acima deles. Em noite de estreia amei-te, como há muito o tempo não me permitia, com a força da vida que o corpo carrega, com a intensidade da alma que há séculos esperava...por ti! Amo-te.

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