20.6.09

Flor


No brilho das cores de uma flor, deixo-te mil segredos por revelar. Entre as letras que te escrevo dia-a-dia, religiosamente, guardo o sentido que apenas a ti entrego, no silêncio da noite, por entre serra e mar, por entre a terra e o ar. As saudades estendem-se pela imensidão do oceano e, a ausência deixa-me a alma sombria, mas a esperança de que o regresso seja apenas questão de um segundo, dá-me o alento necessário para fazer brotar da profundidade dos sentidos as palavras que te alimentam, na distância. Os perfumes que mesclo, entre essências de vida, tentando reciar a formula mágica que me levará de corpo e alma para o teu mundo, exalam o gosto da tua pele, qual pétala desta flor que te ofereço. O teu corpo longíncuo, envia-me, em cada segundo o pulsar do teu coração, a tua alma, dentro da minha, traduz as letras que te emprestam para me escreveres, desencriptando os sentimentos que nelas embrulhaste com a seda do teu pensamento. Espero todas as noites e, de dia, contemplo esta flor sabendo que existes em mim como ela existe neste jardim secreto onde tu caminhas na beleza das noites e repousas no brilho dos dias, deixando o tempo passar, reduzindo as horas a segundos para que a saudade te comporte.

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