
Esta embriaguez de pensamentos consome-me há tantas horas entre mim e ti...
A pele da minha pele é já outra, o corpo do meu corpo ganhou marcas invisiveis. Só eu sei o que carrego quando me carrego: o segredo mais incrível esconde-se aí no pulsar acelerado do meu coração, bem junto à veia que me purifica e alimenta. Não sei como falar de ti sem falar de partidas. De chegadas. De viagens por dentro de mim. De viagens por dentro de ti.
E de lugares quase impossíveis que resgatamos a mapas imaginários, o amor pode ser um bilhete de ida. Sem volta. Elle se donne. A lui. Ele dá-se também e à velocidade do pensamento. Não há nada que me impeça de estar aí. Já.
E entre uma mão e outra sobra apenas esta distância invisível. O nosso é um só corpo. Indivisível: o meu no teu, no meu no teu. Onde começa o meu. Onde acaba o teu. Nem sei se é necessário sabê-lo. ou se é apenas indizível. Talvez tenhamos que inventar um nome. Um outro nome para este amor. Lá fora alguém fala de lugares longe, longe... beijos no cais. Recomendações. Malas. Malas. Malas. A carga toda da vida em malas que nos puxam para o chão. Transporto comigo apenas o que me serve. Para estar contigo basto eu. Para estares comigo bastas tu. Assim mesmo nus. A alma como tecto. Quente regaço. Casa. Casa. Corpo. Indivisível. Invisível. Indizível.
C'est l'amour. Tout court.
ResponderEliminarParfait!