(...) ofereceste-te com generosidade, entreguei-me sem obstáculos. (...) Estranhei-te o silêncio. Tu, para quem as palavras são supérfluas quando a certeza é firme, manifestaste-te no movimento do corpo em tradução livre do desejo e sorriste-me encontrando, finalmente, não aquilo que procurávamos, mas aquilo que nos faz felizes. 2.12.10
tranparências
(...) ofereceste-te com generosidade, entreguei-me sem obstáculos. (...) Estranhei-te o silêncio. Tu, para quem as palavras são supérfluas quando a certeza é firme, manifestaste-te no movimento do corpo em tradução livre do desejo e sorriste-me encontrando, finalmente, não aquilo que procurávamos, mas aquilo que nos faz felizes. acreditar no amor como na vida

A perfeita harmonia também é imperfeita. O perfeito amor também é uma conquista [que se saboreia devagar, sem pressas]. A perfeita cumplicidade existe e chega com um amor maior. A perfeita vontade de eternidade sente-se quando o sabor de um beijo não basta, quando um abraço é mais quente que o sol, quando amo-te é a única palavra que existe no nosso dicionário. Quando o querer é mais, mais, mais, sempre mais.
24.11.10
E os outros...!
*
Só nós.
Só os nossos escondidos murmúrios,
Só as nossas madrugadas de prazeres e delírios.
Gemidos de vida.
E o mundo que se engane,
Que finja não ver
Que pense não ser...!
Só os nossos escondidos murmúrios,
Só as nossas madrugadas de prazeres e delírios.
Gemidos de vida.
E o mundo que se engane,
Que finja não ver
Que pense não ser...!
**
18.11.10
Mulheres
Final de tarde. Camarim, provavelmente o sítio mais especial do mundo, aquele onde me dispo de mim e me visto de personagem. E é nesta passagem que relembro pedaços do meu espectáculo. Quantas coisas passadas, quantos momentos, quantos êxtases, quantas mulheres. Quantas diferenças entre si, tão diferentes e no fundo, tão iguais. Algumas simplesmente evaporaram-se no tempo, outras mantêm-se vivas na lembrança. Umas tão quentes, outras nem tanto. Umas que queriam ser, outras que eram sem saber. Umas quis que fossem, outras que nem vieram.
Umas que preencheram lacunas, outras que acariciaram o meu ego. Algumas só mataram desejos, outras fizeram-me refletir. De umas ainda aguardo respostas, a outras nem perguntas fiz. Umas entenderam-me, outras nem tentaram. Umas só foram usadas, outras apenas me usaram. Umas viraram mães, outras viraram tias, algumas por não querer, outras sem outra opção.
Umas que preencheram lacunas, outras que acariciaram o meu ego. Algumas só mataram desejos, outras fizeram-me refletir. De umas ainda aguardo respostas, a outras nem perguntas fiz. Umas entenderam-me, outras nem tentaram. Umas só foram usadas, outras apenas me usaram. Umas viraram mães, outras viraram tias, algumas por não querer, outras sem outra opção.
A umas e outras devo o mesmo respeito.
8.11.10
Versos de amor

Os melhores versos de amor que fiz não foram escritos, foram desenhados. Aguarela febril no sublime de um corpo. Mulher. Tateados qual braile em olhos fechados, sentindo arrepios na ponta dos dedos. A humidade no espaço do puro desejo. Versos que se multiplicam, que palpitam. Versos apenas feitos no alucinado contacto da inspiração do cheiro, da pele, do suor. Versos absorvidos pelo som de uma louca sonata de gemidos sussurrados. Espasmos sem controlo como espírito incorporado num corpo entregue, abandonado, pedinte, largado ao poder lascivo do prazer, enxarcado na luxúria. Amor que se rende numa cama, pódio em despudor usado sem grafia, sem parágrafos, sem caneta nem papel. Corpo amado, desejado, possuído pelo homem em mim poeta. Sem letras nem rimas, apenas amor em forma de poesia.
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