28.4.09

Volúpia


Espalham-se as essências nos fumos que cobrem o quarto com uma cortina de nevoeiro. Consome-se a madeira em fogo lento, queimando o incenso. O dia adormece, aos poucos, rasgando o espaço em raios pálidos cor de mel. Sobre a cama, desfolhaste as pétalas da rosa que te dei, eu, como uma prece, sussurrava as palavras mágicas a cada malmequer que deixava cair sobre o soalho.
Deixaste o teu corpo sobre a cama, semi despido, esperando que lhe juntasse o meu, desnudo. Deixamos a música entrar, para nos abraçar os sentidos, quebramos o tempo nos relógios parados sobre a mesa de cabeceira. É o fim do dia, o fim do mundo, o fim da vida. Dentro daquele lugar que é só nosso, ficamos tu e eu, enlaçados num transe voluptuoso. Envoltos nos silêncios que a cada música que termina, fazem calar os gemidos de um prazer reinventado. É noite já, ou será novo, o dia? Não quero saber, se a luz que me ilumina é do Sol, ou da tua alma que se fundiu na minha. Deixo as forças abandonar o corpo e a alma, exausta, cheia de todos os prazeres que me deste, entrega-se, já vencida, a um instante de repouso.

1 comentário:

  1. Um poema à tua medida: sedutor, encantador, sensual e lindo do princípio ao fim! Tens magia nas tuas palavras...suscitas algo de muito intenso e especial através delas! Dás-nos o prazer a partir da tua escrita de imaginar sensações e cenários. Não é qualquer um, só um grande artista como tu! Parabéns!

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