15.4.09

Renascer


É no silêncio da noite que me deixo adormecer em pensamentos perdidos num lugar qualquer. Aqui, entre pequenas estrelas e grandes vazios, os meus pensamentos flutuam como penas nas asas dos ventos que sopram de sul. Deixo-me ficar, escutando, cada palavra não pronunciada, cada letra não escrita, procurando tão somente, perceber para onde querem ir, e onde me querem levar. Só, nesta travessia sem gente, onde a multidão se comprime, num espaço vazio, procuro encontrar-me dentro deste nada e deste tudo que sou. Ceifado, como o trigo, deixo-me cair, sobre o manto das estrelas que a noite escura e fria, estende sobre mim, sentindo-me perdido pelo espaço infinito num abraço universal que me faz esquecer as origens e me leva para lá de todos os limites. No silêncio da noite.

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