29.10.10

O "Treme-treme"


“Treme-treme” assim se chamava o prédio alto, destacado de todos os outros mais baixos, onde morei nos meus tempos de serviço militar em Luanda! Em 1971 fui “convocado” para o Ultramar e os pais (galinha!) reformaram-se e foram atrás do menino! Dinheiro não havia em fartura e, portanto, aquele edifício colonial construído para habitação económica e com fim a alojar os militares nos seus tempos de férias foi o nosso lar (dos meus pais e meu quando voltava, ainda que temporariamente, do mato) durante quatro anos. Falo hoje dele porque em conversa descobri que a mãe de uma querida amiga e ela inclusivé (apesar de bebé) também lá morou e na mesma época. Éramos vizinhos e não sabíamos. A vida tem destas coisas maravilhosas! 

Eu morava no 12 J daquele prédio do Largo do Infante D. Henrique…mais conhecido pelos jovens de então como o Baleizão, mesmo defronte à marginal, com uma belíssima paisagem que serviu de fundo a momentos inesquecíveis da minha juventude. Era minha vizinha também a minha eterna Vera Mónica, na época Verónica (seu verdadeiro nome) que chegara também a Luanda com a mãe, vinda directamente do Rio de Janeiro à procura de uma vida melhor. Grandes amizades se fizeram naquele “Treme-treme”. Carlos Castro (que escreveu para mim as três letras com que concorri ao Festival da Canção de Luanda entre 1972 e 1974 e com as quais ganhei o primeiro prémio), Vasco Rafael, Rui e Salomé Cardinali, José Carlos (o mais genial estilista português), Nelson Duarte (que me acompanhava à guitarra em cantorias pelos mais variados locais da Nova Lisboa, Sá da Bandeira, Luanda, etc) eram outros dos vizinhos. Na altura e tal como eu, ilustres desconhecidos mas que, a pouco e pouco, começavam a dar cartas numa Luanda de longe mais evoluída que a Metrópole. Aliás, ali perto estava o primeiro hipermercado que os portugueses residentes em Luanda veriam, muito antes de Portugal sofrer igual modernização.   

Mais tarde aquele prédio começou a ser apelidado de “Treme-treme”! Porquê? Tinha a ver com a utilização que era dada a alguns dos apartamentos habitados por “profissionais do sexo”. Quem pretendesse descrição e qualidade, sabia que o “Treme-treme” era o lugar. Muito nos riamos, eu e a Vera, namorados e novíssimos na época, tão novos ao ponto de brincar com as tais “profissionais”, fazendo chamadas insistentes para os seus apartamentos a marcar supostos encontros. Outras vezes batíamos às suas portas e corríamos pelas escadas abaixo até alcançarmos um lugar seguro onde pudéssemos soltar largas gargalhadas!

Ter sabido hoje, da coincidência que atrás referenciei fez-me recordar uma série de momentos….inevitável! Lembro-me de uma vez estar com um grupo de amigos no então Café Baía que ficava junto do “Treme-treme” e onde todos os jovens se encontravam para grandes noitadas que, um exuberante casal colocou altifalantes na varanda do quarto onde decidiu passar umas longas horas de cama com o microfone ao lado. Resumindo: toda a gente ali nos arredores testemunhou o seu prazer. Mas também era daquele mesmo Café que se assistia todas as noites a um espectáculo magnífico de luzes na Marginal com os reclames multicolores que num piscar constante se projectavam nas calmas água da baía enquanto no alto e em tons de amarelo a Fortaleza de S. Miguel vigiava a baía, protegendo a cidade. Os automóveis passeavam-se como pirilampos e muitos se deslocavam para a ilha onde as marisqueiras e bares aguardavam com as suas lagostas, camarões, lagostins, sapateiras, outros crustáceos e moluscos a chegada da clientela noctívaga e não só. 

Luanda dormia acordada, Luanda era uma cidade que não dormia. Loucos anos 70 naquele paraíso quente e tropical! Mas nem tudo eram rosas… 

17.10.10

Hale-bopp


Os cometas têm dupla personalidade. São negros e sem cauda mas incendeiam-se quando se aproximam do sol. Têm na sua essência todos os constituintes da vida. Quando os vemos nunca pensamos nisso...só pensamos que, como são raros, podem dar-nos sorte e é por isso que quando os vemos pedimos um desejo. 

Nunca acreditei em coincidências mas sei que conhecer-te não foi um acaso na minha vida. Foi um presente do destino! És o meu cometa, o meu Hale-Bopp! O maior e o mais brilhante!

Quando amo


Eu quando amo mimo. Eu quando amo faço sonhar. Eu quando amo suspiro e faço suspirar. Eu quando amo não corro atrás, mas fico presente. Eu quando amo não fico em silêncio, canto melodias. Eu quando amo não desisto, luto. Eu quando amo quero tudo e quero hoje e quero para sempre. Eu quando amo não tomo nada como garantido. Eu quando amo escalo montanhas, pinto céus e planto flores. Eu quando amo visto-me de mar, bronzeio-me de côco e brilho com as estrelas. Eu quando amo peço desejos à lua e ofereço flores ao mar. Eu quando amo fecho os olhos e peço ao Universo que me deixe amar assim para sempre. Eu quando amo quero ser o Sol. Quando amo...e eu amo-te. Muito.

ZEN

Acreditei. Pedi com toda a minha fé.

Rendi-me a este amor e aceitei. 

Abracei-te, abracei-me.

Estou em paz.

Perfeito.

15.10.10

Acredito. Do verbo acreditar


Acredito que as relações se fazem de química e de cumplicidade.
Acredito que o corpo tem linguagem própria. O olhar. E o sorriso também. É isso que constrói uma relação: tudo o que está para além das palavras, tudo o que conseguimos ouvir no silêncio. Acredito no conforto do silêncio.
Acredito que as relações se fazem de momentos. Segredos. Lágrimas e gargalhadas. Fantasias. Guardar tudo o que se sabe sem querer saber mais nada. Passado. Futuro. Querer o todo sem nunca conhecer tudo. Viver!
Acredito em entidades isoladas com um mundo próprio.
Acredito no fascínio pelo que nunca nos pertence.
Acredito em nós. Simplesmente.

Para todos os dias


Há muitas coisas assim na vida! Começam do nada como uma vela que não se apaga, um fio de vento que não se vai embora, uma noite que não dorme e chega em claro até à manhã. Foi assim que tudo começou. Entraste para a minha vida sem nenhum de nós saber. Se não para todo o sempre, pelo menos para todos os dias, enquanto os houver.

Da entrega


Eu sou lúcido na minha loucura, permanente na minha inconstância, inquieto na minha comodidade. Pinto a realidade com alguns sonhos e transformo alguns sonhos em cenas reais. Choro lágrimas de rir e quando choro não derramo uma lágrima. Amo mais do que posso e, às vezes, menos do que sou capaz. Procuro pelo prazer da paisagem e raramente pela alegre frustração da chegada. Quando me entrego, atiro-me e quando recuo não volto mais...