[Abres-me a tua porta, olhamo-nos, sorrio,
convite mudo que entendes.]
Eu sou naturalmente a sensação que sinto, a sensação que transmito sem mordaças, sem máscaras, sem artifícios. Vivo em função da minha satisfação, dos meus desejos, da minha vontade de fazer o bem mesmo com a certeza do quanto mal já fiz. Vivo a vida. Com amor, com as certezas que penso ter, às vezes doces e ilusórias certezas planando ao sabor libidinoso do vento que as leva sem obstáculos, sem negativos. Vivo nas nuvens da vida, do amor, das ilusões. Por outro lado vivo o meu temperamento felino nos meandros da inconsequência sem ser inocente. Sou o que quero. Sou o que sou, sou o que quero ser em total cumplicidade com as minhas intuições. Vou até onde o meu instinto me leva. Vivo de mãos dadas entre o meu Eu de emoções com o meu Eu racional que me regula, que me soma e subtrai, sempre nas minhas perfeitas faculdades. E nesta balança dentro de mim vivo com a plena consciência da felicidade que procuro, que almejo. Quero mais sem nunca precisar de fugir de mim. Tudo o que faço é profundamente consciente nas saídas, nas fugas e até nas inverdades. Não sou um mistério mas também não sou figura fácil. Sou dentro do possível apenas eu. Vivo de amores. Lógicamente por não me interessar morrer.
Os lençóis desarrumados, as roupas espalhadas, os copos vazios. Copos vazios, coração cheio, corpos exaustos, denunciando que o amor ali acontecera. A vela ainda acesa, ainda queima e, suavemente ilumina os nossos corpos. Vagarosamente, sinto-te respirar, dormindo, entregue, a sonhar, deliciosa. Observo a tua pele, os teus contornos, vejo a satisfação no teu rosto. O sorriso embala o teu sono.
Quadro bonito, cena grata, deliciosa de olhar. A vontade aumenta, quero abraçar-te e envolvo-te com os meus braços, para te ter agarrada a mim.
Ainda a dormir exclamas, languidamente: "Amo-te tanto!". E num impulso calo os teus lábios com um beijo macio, tranquilo, delicioso. Beijo sonhado a sonhar com o teu beijo, a acordar beijando-te. As nossas mãos começam a procurar-nos de novo. O desejo reacende.
E a perfeição repete-se.
Quando se tem alguém na vida que sonha tão grande quanto nós, que sonha de olhos abertos como nós, que planeia cada detalhe da concretização dos sonhos connosco, que nos leva ao colo e nos tira o peso do mundo dos ombros......quando temos alguém assim na vida devemos abraçá-la forte, bem forte e dizer-lhe baixinho, a cada minuto, por cada sorriso, por cada sonho, por cada momento de amor o quanto se gosta dela, o quanto nos faz feliz e o quanto queremos senti-la feliz. Sempre.