25.1.10

Melodia de duas bocas

Olho-te ainda mais lentamente. Há qualquer coisa de sagrado neste acordar, neste corpo vivo, vibrante e nesta alma dormente. Há qualquer coisa de sagrado nesta vontade de te tocar. Aproximo a boca das tuas costas, molho os lábios com a língua e beijo-te, levemente. Rodopiaste na minha direcção, sorriste e disseste:
- Posso dizer uma coisa? Não sei mesmo se sem ti sou. A importância do que penso inscreve-se somente nestes espaços quase inexistentes entre ti e mim. Quase inexistentes...
Oiço-te e sinto dentro de mim a maravilha que nasce com a descoberta das coisas novas. Puxei-te para mim e entre os meus braços descansaste desta sombra. Brandamente foste contando da melodia que o teu corpo escreve só para mim. O mundo existe apenas no local solar para onde os teus olhos olham, do outro lado apenas existe uma sombra, gigantesca, sem sentido, sem sentidos, como se eu fosse cego sem essa luz, como se as minhas mãos perdessem o seu sentido primordial: o teu corpo.
Desviei os meus olhos para os teus. Ao longo do teu corpo morriam as estrelas. A noite partira.
E, lentamente, o sol rompeu no céu da tua boca.

21.1.10

As sombras de ontem

O brilho dos teus olhos.
Incessante.

20.1.10

Por vezes


Pela dança vamos entrando, pelo ar que respiramos.
Nas passagens de uns pelos outros, só a imaginação se toca.
Feliz por vezes, no encontro da voz.
Mas em dias assim,tudo corre bem.
Era uma vez uma brisa, um sonho, um tempo.
Os passos aprendem-se até à perfeição. O resto não.

Vieste



Vieste na hora exacta, com ares de festa e luas de prata.

Vieste com encantos, vieste com beijos silvestres colhidos para mim, vieste com a Natureza, com as mãos camponesas plantadas em mim.

Vieste de olhos fechados num dia marcado, sagrado para mim.

Vieste com a cara e a coragem, com malas, viagens, para dentro de mim.

7.10.09

Não digas


Não digas até amanhã,
Uma vez chega, por favor.
Não digas adeus, não o sussurres se quer,
Deixa-te estar entre os suspiros sonhados.
Canto-te canções de embalar, se quiseres,
Canto-te cantos de amor, até que percas o medo.
Eu não quero dormir, não quero partir.
Não digas até amanhã.

Não sigas o passado,
Não te percas no futuro.
O passado não existe mais,
E o futuro ainda não chegou.
Observando profundamente a vida como ela é,
Aqui e agora, é que permanecemos equilibrados e livres...
Não digas até amanhã
Até porque o Universo,
Escolhe quem vamos encontrar na vida
E são as atitudes que decidem quem fica
E quem sai.

Tu entraste e não sairás nunca mais.
Ficarás para sempre numa eternidade,
Que é só nossa.

Entre-momentos


Gostava de escrever uma ode às nossas estimadas solidões,
Se não fossem estas sinónimo de uma difícil plenitude.
Cada vez mais desejo apanhar o pensamento
Quando ele acontece.
E quando isso acontece,
Gera-se um efeito que imagino similar
Ao surfar dentro de uma onda.
A paisagem é uma multiplicidade de pontos numerados
Que temos de ir ligando.
E quando se pensa
Reconhecer o desenho, ele muda.
Mas aqui ninguém nos ouve,
E posso dizer que o truque está em entrar nesses
Entre-momentos, quando um desenho deixa de parecer
Uma coisa e ainda não parece outra.
Conquista o agora, contaminámo-lo com a mestria
Das nossas dúvidas.
Seremos vírus de nós próprios.

11 dias


11 dias.
Conto cada um
Na esperança de que seja o último.
Anseio-te cada dia
Mais do que no anterior.

11 dias
Para te reencontrar,
11 dias
De uma eternidade
Que já passou.
11 dias,
Para te abraçar
E reafirmar a certeza
De que te amo,
Mais do que a vida.