7.10.09

11 dias


11 dias.
Conto cada um
Na esperança de que seja o último.
Anseio-te cada dia
Mais do que no anterior.

11 dias
Para te reencontrar,
11 dias
De uma eternidade
Que já passou.
11 dias,
Para te abraçar
E reafirmar a certeza
De que te amo,
Mais do que a vida.

14.9.09

Carícia


A palavra para hoje é resistir. Aprender com o tutano dos antigos carvalhos, absorto à passagem do tempo, sem nunca deixar de lhe sentir a carícia e escolher pensar serem os dedos de um sonho recorrente com medo de ficar sozinho. Já fui poética terra. Hoje sou forte madeira. Amanhã serei água invencível.

Daqui nada se leva.

Por entre insuspeitos obstáculos ao olhar,
insinuam-se surpresas às quais se tem de sorrir.
Nada se leva daqui, senão vislumbres e micro-perfeições.
Começa então o trabalho do pensamento, da imaginação,
para completar os espaços e tempos em falta.
E sorri-se, sorri-se com estes jogos de possibilidades,
com a facilidade em criá-los
e a felicidade com que eles retribuem.

Poema de domingo escrito segunda-feira.

Desprovido. Sempre o mesmo olhar em volta sem nada ver
ou o tudo ver distorcido. E isto é exterior ou interior?
Não te rias nunca do que não consegues compreender.
E se aprender não é a tua cena, força-te à hibernação.
A próxima primavera trará pelo menos novos cheiros,
novos sentidos, toda a verdade feita ilusão
de tudo estar finalmente bem.
E assim se pode viver toda uma vida.

29.7.09

Palavra

Amo-te.
Mas o amor não cabe todo numa palavra.
Não há palavras.
E tu sabes.

1.7.09

Amanhã como hoje.

Amo-te, assim, na inexistência física de ti, na ausência permanente que me assola.
Mas amar, é muito mais que tudo isso.
É a sublime forma de querer ter a tua alma na minha,
É o egoísmo e a certeza que amanhã serás minha.
Como hoje.

Visita Nocturna

Esperas-me entre as brumas da noite. O corpo treme invadido pela ânsia do regresso às origens. Venho suavemente, como uma brisa de final de tarde, escondo-me por entre as árvores e espreito-te. Deixo que o sol se apague e, antes mesmo que a noite se instale, passo pelos teus cabelos, afagando-os com uma brisa suave. O céu escuro, preenche-se de estrelas e do nada me faço gente, corpo presente. Sentes-me, abraço-te encostando o meu peito às tuas costas. As minhas mãos procuram os contornos suaves da tua pele, desenhando-te colada ao meu corpo. Inalo o teu perfume, que me transporta no tempo, levando-me para lá da eternidade. Deixas-te estar, entregas o teu corpo ao meu, absorvendo cada toque que persegue os teus desejos.
A música solta-se no ar e os corpos comprimem-se num abraço apertado, fusão perfeita de curvas e concavidades que se encaixam como peças de um mesmo corpo. Encontramo-nos por instantes numa mesma dimensão onde os corpos se materializam e os desejos se realizam. Um momento fugaz, roubado à realidade, onde seguramos por um fio invisível o tempo que se pára na ponta dos dedos, permitindo-nos prolongar entre um segundo e o próximo, a nossa própria eternidade.