Esperas-me entre as brumas da noite. O corpo treme invadido pela ânsia do regresso às origens. Venho suavemente, como uma brisa de final de tarde, escondo-me por entre as árvores e espreito-te. Deixo que o sol se apague e, antes mesmo que a noite se instale, passo pelos teus cabelos, afagando-os com uma brisa suave. O céu escuro, preenche-se de estrelas e do nada me faço gente, corpo presente. Sentes-me, abraço-te encostando o meu peito às tuas costas. As minhas mãos procuram os contornos suaves da tua pele, desenhando-te colada ao meu corpo. Inalo o teu perfume, que me transporta no tempo, levando-me para lá da eternidade. Deixas-te estar, entregas o teu corpo ao meu, absorvendo cada toque que persegue os teus desejos.
A música solta-se no ar e os corpos comprimem-se num abraço apertado, fusão perfeita de curvas e concavidades que se encaixam como peças de um mesmo corpo. Encontramo-nos por instantes numa mesma dimensão onde os corpos se materializam e os desejos se realizam. Um momento fugaz, roubado à realidade, onde seguramos por um fio invisível o tempo que se pára na ponta dos dedos, permitindo-nos prolongar entre um segundo e o próximo, a nossa própria eternidade.
1.7.09
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