5.7.10

memória de luz



...olho para trás e recordo-me apenas de lençóis revolvidos a meia luz, de um perfume ainda morno, dos nossos beijos a troco de tudo.

...

TU.
Tudo o que me apetecia voltar a ter.

...!


...sem querer trago-te comigo - naquele bolso desobediente onde me cabem os sonhos - aconchegado no peito.

uma luz


[... o teu corpo... a minha casa...]

...



o silêncio. (re)começar.
o mundo...claro novamente.
todos os dias.
a noite ficava guardada... nos meus ouvidos.
acumulava-se por dentro...

escurecia...
destruía o meu coração.
cinza... pó... negro...

4.7.10

Início dos sorrisos



...largas rastos de fogo e luz pelos meus dias.
curas horas tristes com a ponta dos teus dedos.
graças a ti...
enterrei para sempre fotografias antigas...
de pó e lágrimas.
é finalmente o ínicio dos sorrisos...

25.1.10

Olho-te

Posso fazer uma pausa e dizer: olho-te. Não creio que qualquer figura de estilo lhe acrescentasse alguma coisa. Os meus olhos chegam para envolver o teu corpo e dizer-me que respiro e, depois, dizer simplesmente: olho-te. Não espero deste gesto um poema, para transcendência basta-me o teu corpo, ali, precisamente onde o meu olhar pousa. Que eu te escreva num momento diferente daquele em que te olho não chega a ser realmente importante. Escrevo apenas para conservar esse olhar, para o segurar no preciso momento em que existiu, para guardar com nitidez a imagem da tua nudez, para guardar para sempre as tuas palavras. E não me importa que o texto descanse, como naquele momento o meu corpo descansava, porque ambos, as minhas palavras e o meu corpo, te olham a distâncias diferentes, enquanto dizem apenas: amo-te.