20.1.10

Vieste



Vieste na hora exacta, com ares de festa e luas de prata.

Vieste com encantos, vieste com beijos silvestres colhidos para mim, vieste com a Natureza, com as mãos camponesas plantadas em mim.

Vieste de olhos fechados num dia marcado, sagrado para mim.

Vieste com a cara e a coragem, com malas, viagens, para dentro de mim.

7.10.09

Não digas


Não digas até amanhã,
Uma vez chega, por favor.
Não digas adeus, não o sussurres se quer,
Deixa-te estar entre os suspiros sonhados.
Canto-te canções de embalar, se quiseres,
Canto-te cantos de amor, até que percas o medo.
Eu não quero dormir, não quero partir.
Não digas até amanhã.

Não sigas o passado,
Não te percas no futuro.
O passado não existe mais,
E o futuro ainda não chegou.
Observando profundamente a vida como ela é,
Aqui e agora, é que permanecemos equilibrados e livres...
Não digas até amanhã
Até porque o Universo,
Escolhe quem vamos encontrar na vida
E são as atitudes que decidem quem fica
E quem sai.

Tu entraste e não sairás nunca mais.
Ficarás para sempre numa eternidade,
Que é só nossa.

Entre-momentos


Gostava de escrever uma ode às nossas estimadas solidões,
Se não fossem estas sinónimo de uma difícil plenitude.
Cada vez mais desejo apanhar o pensamento
Quando ele acontece.
E quando isso acontece,
Gera-se um efeito que imagino similar
Ao surfar dentro de uma onda.
A paisagem é uma multiplicidade de pontos numerados
Que temos de ir ligando.
E quando se pensa
Reconhecer o desenho, ele muda.
Mas aqui ninguém nos ouve,
E posso dizer que o truque está em entrar nesses
Entre-momentos, quando um desenho deixa de parecer
Uma coisa e ainda não parece outra.
Conquista o agora, contaminámo-lo com a mestria
Das nossas dúvidas.
Seremos vírus de nós próprios.

11 dias


11 dias.
Conto cada um
Na esperança de que seja o último.
Anseio-te cada dia
Mais do que no anterior.

11 dias
Para te reencontrar,
11 dias
De uma eternidade
Que já passou.
11 dias,
Para te abraçar
E reafirmar a certeza
De que te amo,
Mais do que a vida.

14.9.09

Carícia


A palavra para hoje é resistir. Aprender com o tutano dos antigos carvalhos, absorto à passagem do tempo, sem nunca deixar de lhe sentir a carícia e escolher pensar serem os dedos de um sonho recorrente com medo de ficar sozinho. Já fui poética terra. Hoje sou forte madeira. Amanhã serei água invencível.

Daqui nada se leva.

Por entre insuspeitos obstáculos ao olhar,
insinuam-se surpresas às quais se tem de sorrir.
Nada se leva daqui, senão vislumbres e micro-perfeições.
Começa então o trabalho do pensamento, da imaginação,
para completar os espaços e tempos em falta.
E sorri-se, sorri-se com estes jogos de possibilidades,
com a facilidade em criá-los
e a felicidade com que eles retribuem.

Poema de domingo escrito segunda-feira.

Desprovido. Sempre o mesmo olhar em volta sem nada ver
ou o tudo ver distorcido. E isto é exterior ou interior?
Não te rias nunca do que não consegues compreender.
E se aprender não é a tua cena, força-te à hibernação.
A próxima primavera trará pelo menos novos cheiros,
novos sentidos, toda a verdade feita ilusão
de tudo estar finalmente bem.
E assim se pode viver toda uma vida.